Património e Paisagem

Igreja Paroquial de São João de Lobrigos

Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto-Lei nº 474.008, de 24-01-1967.

 

O templo de S. João de Lobrigos é o marco físico de maior importância na Freguesia. Motivo de orgulho dos seus paroquianos, esta igreja é a sua sede e representante espiritual.
A sua construção concretizou-se em duas fases ou campanhas: uma no século XVII, a outra no século seguinte. Trata-se de sólida construção em que sobressai a alvenaria dos fortes pilares e cornijas, e a cal branca que a reveste.
A torre é um pouco retraída, ou desproporcionada em relação ao corpo da igreja. Dizem os mais velhos que era para ser mais alta, mas o mestre entretanto morrera, ficando mesmo assim. Apresenta três corpos distintos, e à entrada do pórtico sobressai a galilé de arco.
Mas a igreja vale pela decoração interior dos altares, do teto e paredes em boa talha dourada do barroco nacional, incluindo a rica imaginária e os paramentos de grande valor. O retábulo do altar-mor apresenta-se artisticamente elaborado. Nele salienta-se o tabernáculo sumptuoso e o segundo tabernáculo a rematar o torno, e a servir de baldaquino de que irradiam resplendores solares, para exposição do Santíssimo Sacramento.
Revestem o teto da capela-mor trinta caixotões que se desdobram até à altura dos dois janelões, forrando as paredes onze caixotões parietais. O arco do cruzeiro é também revestido a talha, e adossados a ele (voltados para a nave) dois altares (um de cada lado) do mesmo estilo. Do espólio iconográfico fazem parte as valiosas imagens de Nossa Senhora do Rosário, a de Cristo Crucificado, a de Nossa Senhora das Dores (de roca) vestida de túnica (de roxo) e manto azul, e a do Menino Jesus (vestido), e com os pés sobre o globo terrestre.
Revelem-se também as imagens de Santa Bárbara (muito cultuada na região), e a de São Sebastião.

O Órgão que estava na capela-mor (do lado do Evangelho) e encostado ao arco do cruzeiro, encontra-se atualmente no centro da nave, do lado esquerdo. Trata-se de um órgão setecentista, com aplicações em talha dourada, e que exibe painéis decorativos com pintura vegetalista barroca.

O teto da nave apresenta-se forrado por quarenta e cinco caixotões pintados com figuras ou passagens da vida de Cristo. As paredes (até meia altura do piso) revestem-nas as mesmas talhas que partem dos altares, e vão morrer no coro, também decorado a talha.
O púlpito (que não passa despercebido) é uma peça de bom nível artístico com aplicações metálicas (latão) muito ao gosto da primeira metade do século XVII.
Na sacristia, de teto em masseira octogonal (madeira de castanho) encontra-se artístico lava-mãos em pedra, decorado com carranca e, a sobrepujá-la, a inscrição do ano de 1728.

Igreja Paroquial de São Miguel de Lobrigos

 

A Igreja Matriz (construída em pleno reinado de D. João V) é um belíssimo templo que reflete o gosto, o estilo e a arte da talha época (estilo joanino). O retábulo do altar-mor é, de facto, uma obra de arte dos entalhadores da região.
A imagem do orago pontifica no seu lugar de honra, e no lado oposto, a imagem da Nossa Senhora da Guia (proveniente da sua capela).
Admirem-se ainda os vinte e cinco caixotões (da mesma época estilo) que forram o teto da capela-mor. Na transição desta para a nave, destacam-se o arco do cruzeiro do mesmo modo revestido a talha, e os dois altares laterais, também de talha dourada. O coro ostenta pormenores de talha (que quer invadir todos os espaços disponíveis), e é apoiado sobre colunas de pedra, de capitéis coríntios. A talha vai ainda envolver os janelões da nave (um par de cada lado) que dão intensa luminosidade natural ao interior.
O púlpito é também decorado a talha.
Dos cento e oito caixotões do forro da nave (teto restaurado), só uma dúzia deles ostentam motivos pictóricos. Entre os janelões reparem-se em três retábulos móveis cujos painéis (retangulares) representam cenas da Vida de Cristo (Nascimento e Última Ceia).
Relevem-se a imagem da Nossa Senhora do Rosário, muito valiosa (século XVII) que se encontra guardada, e o Crucificado com a Senhora das Dores aos pés (imagem de roca) vestida de púrpura, e manto roxo.
No adro existe um jazigo onde está sepultada Justa Rita, empregada/criada da família Cunha Coutinho, por quem o povo de S. Miguel nutre especial devoção, embora não seja reconhecida pela hierarquia da Igreja.
O corpo da serva Justa Rita foi encontrado incorrupto, e o povo levou-o para a igreja. Daqui transitou para capelinha-jazigo nas traseiras do templo. Jacente, em urna tumular envidraçada. Diz a tradição que a Justa Rita foi empregada da Casa da Quinta de Santa Comba, e fazia bem aos pobres. As noivas oferecem-lhe os vestidos e os sapatos de casamento, e o povo entrega-lhe muitas “promessas” (ex-votos) em cera.

 

Capela do Santo Mártir em Sanhoane

 

A Capela do Santo Mártir (ou de S. Pio) que, segundo a tradição, morreu na guerra. Pertence ao Solar ou Casa da Quinta do Serrado (à entrada de Sanhoane). Está assinalada com saliente e artística pedra de armas, brasão esquartelado. A fachada barroca salienta a beleza rústica do nobre granito.
O altar é ricamente decorado em talha da época (estilo barroco), salientando a imagem da Sra. da Conceição (no lado direito). Mas todo o recheio é rico e valioso, incluindo vários exemplares iconográficos (S. Carlos, de vestes episcopais e de breviário, e St.º António). O par de tocheiros é um belíssimo conjunto de arte.
Uma arca tumular, em madeira, do estilo do altar principal contém o corpo (jacente) do santo mártir Pio, vestido de organdi. Foi pena que parte desse conjunto, incluindo o cadáver, se tivesse deteriorado com princípio de incêndio ateado pela vela. As mães dos filhos mobilizados para as três frentes de batalha na guerra do ex-Ultramar em África ofereciam velas ao “santo” para que eles regressassem sãos e salvos.
Na sacristia pode ver-se uma imagem em tamanho natural (estofada) de Santa de Lima.

Pelourinho

 

Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto-Lei nº 23.122, de 11-10-1993.



Pelouro assente numa base de três degraus redondos, tem fuste cilíndrico liso e remate tosco-cónico, localizando-se bem no centro da vila de Santa Marta de Penaguião.

Fonte da Igreja de São João de Lobrigos

 

Exemplar digno de registo, do acervo patrimonial da freguesia, é a Fonte da Igreja (pública), no Largo da Igreja. Tem a adorná-la um belíssimo brasão (de heráldica eclesiástica), com as características borlas pendentes por sobre o espaldar de pedra lavrada, e ornamentada por graciosos pináculos e flâmulas. O escudo ou pedra de armas (oval) é “partido” com figurações zoomórficas. No primeiro “quartel” está representado um leão, e no segundo dois carneiros. Da carranca-bica da Fonte jorra água para a taça. O belo conjunto (século XVIII) encontra-se bem conservado, e é digno de ser visitado.

Miradouro de S. Pedro

 

Miradouro de S. Pedro em S. João de Lobrigos (a 442 metros de altitude), fica em local elevado, a deslado da EN2, e de S. Gonçalo, fica logo à entrada da freguesia, do lado direito quem sobe da Régua para a sede do Concelho de Penaguião. No topo do cume o visitante pode contemplar várias freguesias do concelho de Santa Marta e também os concelhos vizinhos da Régua e Lamego. Trata-se de um local agradável, que disponibiliza um parque de merendas bem equipado.

Miradouro de Santa Ana

 

Situado num planalto de vinha, encontramos a capela de Santa Ana em Sanhoane. Esta capela, descrita como “capela de Quinta” no livro Vintage para uma Vida, embora necessite de uma intervenção (brevemente o espaço irá ser reparado), possibilita-nos a vista de uma paisagem singular sobre a “concha vinhateira”, a Vila de Santa Marta de Penaguião, assim como por toda a freguesia.